Cultura e Poder em Projetos

Comecei neste mês a ministrar a disciplina Cultura e Poder em Projetos para a 10a e a 11a turmas do curso de pós-graduação em Gerenciamento de Projetos do SENAC-SP. Ministro esta disciplina desde 2000, quando tivemos as primeiras turmas do curso e, desde então, ela vem sendo avaliada pelos alunos como uma das melhores do curso. Isto se deve ao fato de que o conteúdo abordado – Sociologia e Ciência Política aplicados às Organizações e aos Projetos – é visto pelos alunos como um complemento fundamental aos temas vistos nas demais disciplinas do curso, que versam principalmente sobre as áreas de conhecimento do Guia PMBOK. A idéia é alertar aos alunos para o fato de que um projeto “tecnicamente perfeito” – ou seja, empregando as boas práticas do PMBOK – nem por isso tem seu sucesso garantido, já que a atenção aos aspectos da Cultura Organizacional e das Relações de Poder ali existentes é fundamental para garantir o sucesso do projeto.

O conteúdo da disciplina é o mesmo do curso homônimo que ministramos na Gnosis.

Mais um artigo sobre Arquitetura do Gartner na Info Corporate

Artigo Gartner - Info Corporate
Artigo Gartner - Info Corporate

Conforme comentei em outro post recente, o Gartner tem sido generoso com o tema Arquitetura Empresarial. Nesta semana, tivemos mais um novo artigo sobre o tema.

Desta vez, o artigo foca em “fatores de sucesso” para a implantação de Arquitetura Corporativa. Você pode ler aqui o artigo com highlights e anotações minhas, ou pode clicar aqui para ler o artigo original (é a mesma página, mas sem meus highlights e comentários).

(Parênteses: recomendo fortemente essa funcionalidade do Diigo para quem gosta de compartilhar artigos. Você consegue publicar um link para a própria página que você quer compartilhar, mas só que com marcações e anotações suas. Muito mais prático do que enviar o link para o texto e comentar dentro de um e-mail, por exemplo… Fecha parênteses.)

O que mais me chamou a atenção neste artigo foi o resultado da pesquisa que mostrou que 95% dos arquitetos-chefe respondem ao CIO. Eu esperava que no “primeiro-mundo” já houvesse uma proporção maior de Arquitetos respondendo para executivos de negócio. Não posso negar que fiquei um pouco decepcionado. Mas, por outro lado, isso também mostra que o número de CIOs mais antenados nas necessidades do negócio do que na escovação de bits está aumentando, o que é uma boa notícia!

BPM, Cultura e Poder

Este artigo já é um pouco antigo, mas é interessante comentá-lo:

Artigo Gartner - Info Corporate
Artigo Gartner - Info Corporate

A colaboração extrema é o maior legado do BPM

O artigo faz finca-pé em algo que deveria ser óbvio, mas que, evidentemente, não é. Refiro-me à dificuldade de implantar o que quer que seja em uma Organização sem levar em conta a Cultura Organizacional e as Relações de Poder ali reinantes.

Esse é o assunto de minha disciplina “Sociologia e Política em Projetos” na pós-graduação em Gerenciamento de Projetos no Senac-SP, que também discuto neste artigo.

Embora o artigo me pareça um pouco ingênuo em alguns pontos, é uma importante contribuição neste assunto ainda tão ignorado.

Um exemplo clássico de Cultura Organizacional

Cifrão vermelho
by Leo Reynolds

Fomos obrigados a mudar de provedor e começar tudo de novo. Tenho o backup das mensagens e comentários anteriores do blog e, aos poucos, pretendo reincluí-las aqui.

Por enquanto, resta-nos “reinaugurar” este blog. Gostaria de fazê-lo de forma grandiloquente, com alguma grande consideração filosófica etc., mas o fato é que é algo bastante prosaico que me motivou a escrever este primeiro post neste novo ambiente.

Como vocês sabem, dou aulas de “Cultura e Poder em Projetos” na pós-graduação do Senac-SP em Gerenciamento de Projetos. Sempre gosto de atualizar meus exemplos em sala de aula com situações reais. Pois bem, acabo de ser “presenteado” com um novo e excelente exemplo.

by-nc-sa-20

Como todos sabem, faz parte da Cultura Organizacional da Microsoft aproveitar-se de seu virtual monopólio para forçar seus clientes a comprarem o que não querem e/ou não precisam. Eis aqui um exemplo concreto.

Possuo legalmente o Office XP 2003. Fui obrigado a comprar um novo notebook (o anterior morreu de “falência múltipla dos órgãos”), no qual vieram instalados o Windows Vista e uma versão de teste de 60 dias do Office 2007 Home & Student. Pois bem, resolvi testar o Office 2007 (em termos de MS, sou muito conservador… só testo os produtos deles uns 3 anos depois de lançados).

Problema: o Office 2007 H&S não inclui o Outlook. No problem, a gente reinstala o Outlook 2003 LEGALMENTE COMPRADO. Bom, aí a gente quer, naturalmente, usar o Word 2007 como editor do Outlook. É possível? Bem, infelizmente não…

Então vejamos. Tenho um software (o Outlook 2003) em que uma das principais vantagens é poder escrever mensagens usando toda a funcionalidade do Word. Se eu quiser adquirir a nova versão do Office, ela não funcionará com meu Outlook, a menos que eu compre uma versão do Office que inclua o  Outlook (2007), que custa umas cinco vezes mais que a versão H&S que me foi dada para testar.

Qualquer pessoa que tenha experimentado ser desenvolvedor ao menos um dia em sua vida sabe que não existe NENHUM impedimento técnico que impeça ou dificulte usar o Word 2007 como editor do Outlook 2003. Ou seja, evidentemente, há algum “if” no código do Word 2007 que o impede de ser o editor do Outlook 2003. Por que? Ora, evidentemente para me obrigar a comprar uma versão do Office 2007 que inclua o Outlook 2007.

Ou seja, o MS me dá as seguintes opções:

  1. Aceitar os problemas de compatibilidade derivados de ter duas versões do Office instaladas ao mesmo tempo
  2. Abrir mão de uma funcionalidade pela qual já paguei
  3. Optar pela pirataria, obtendo o Office 2007 completo (com o Outlook 2007) por R$ 5,00 sem limitação nenhuma

Agora me digam, a MS é contra ou a favor da pirataria?

O que isso tem a ver com Cultura Organizacional? Tudo!

A Cultura Organizacional da MS se manifesta cristalinamente nesta situação. Alguém lá dentro decidiu que um comprador do Office 2007 H&S não teria mais direito à funcionalidade pela qual já pagou no Office 2003, a menos que comprasse versões mais caras do software. Certamente esta decisão não foi tomada nem por Bill Gates nem por Steve Ballmer.

Cultura Organizacional é isso: “Aquilo que acontece quanto não tem ninguém olhando”…